3.1 A EXISTÊNCIA DE DEUS
a. O Lugar da Doutrina na Dogmática
As obras de dogmática ou de teologia geralmente começam com a doutrina de Deus. Há boas razões para começar com a doutrina de Deus, se partirmos da admissão de que a Teologia é o conhecimento sistematizado de Deus de quem, por meio de quem, e para quem são todas as coisas.
Efetivamente iniciamos o estudo da teologia com duas pressuposições básicas, a saber:
* Que Deus existe;
* Que Ele se revelou em sua Palavra Divina.
E por esta razão não nos é impossível começar com o estudo de Deus. Podemos dirigir-nos a Sua Revelação para aprender o que Ele revelou a respeito de Si mesmo e a respeito de Sua relação para com as Sua criaturas.
Até o começo do século XIX era quase geral a prática de começar o estudo da dogmática com a doutrina de Deus, mas ocorreu uma mudança sob a influência de Scheleiermacher que procurou salvaguardar o caráter científico da teologia com a introdução de um novo método. A consciência religiosa do homem substituiu a palavra de Deus como a fonte da teologia. A fé na Escritura como autorizada revelação de deus foi desacreditada e a compreensão humana baseada na apreensão emocional ou racional do homem, veio a ser o padrão do pensamento religioso. A religião gradativamente tomou lugar de Deus como objeto da teologia. O homem deixou de ser ou de reconhecer o conhecimento de Deus como algo que lhe foi dado na Escritura e começou a orgulhar-se de ter a Deus como seu objeto de pesquisa.
Conseqüência natural deste sistema teológico: Deus é criado segundo a imagem e semelhança do homem.
b. Prova Bíblica da Existência de Deus
Para a teologia cristã a questão da existência de Deus não é apenas de que há alguma coisa, alguma idéia ou ideal, algum poder ou tendência com propósito, a que se possa aplicar o nome de Deus, mas que, de fato, existe um ser pessoal, auto-consciente, auto-existente, que é a origem de todas as coisas e que transcende a criação inteira, mas ao mesmo tempo é imanente em cada parte de criação.
O cristão aceita a verdade da existência de Deus pela fé. As provas se acham primeiramente na Escritura como palavra de deus inspirada, e, secundariamente na revelação de Deus na natureza.
Em nenhum livro da Bíblia algum escritor tenta provar a existência de Deus. Esta verdade, na Bíblia, é apresentada como uma fato necessário (Gn 1:1).
c. ATEÍSMO - Negação da Existência de Deus
Podemos dizer que existem dois tipos de ateus: o ateu prático e o ateu teórico. Entre os ateus práticos encontramos aquelas pessoas não religiosas que, embora não afirmarem a não existência de Deus, vivem como se Deus não existisse. Já os ateus teóricos são aqueles que procuram provar que Deus não existe usando para este fim aquilo que lhes parece argumentos racionais da não existência de Deus. Os Ateus estão classificados da seguinte forma:
c.1 Ateus Dogmáticos: São os que negam peremptoriamente a existência de um ser divino.
c.2 Ateus Céticos: São os que tem dúvida quanto a capacidade da mente humana de determinar se há ou não um Deus.
c.3 Ateus Críticos: São os que sustentam que não há nenhuma prova válida da existência de Deus.
d. Falsos Conceitos sobre Deus
Quando se debate sobre a realidade de Deus, muitos tendem a pensar que somente o ateísmo desponto como elemento nocivo a fé cristã. Entretanto, tão prejudicial à alma humana como o ateísmo ( ) são também os falsos conceito a cerca da existência de Deus. Isto porque estes, sob a aparência de verdade, conduzem a erros grotescos quando atribuem a Deus conceitos humanistas e puramente filosóficos. Analisemos cada um deles a baixo.
d.1 Politeísmo: É a crença na existência de vários deuses.
d.2 Henoteísmo: É a crença na existência de vários deuses, entretanto apenas um é escolhido como objeto se culto.
d.3 Dualismo: É a crença na existência de dois deuses ou forças que são co-eternas, poderosas e que ao mesmo tempo se opõe.
d.4 Deísmo: Corrente teológica que afirma a existência de um ser pessoal, criador, poderoso, sábio, etc. que, tendo criado todas as coisas, ausentou-se de sua criação e deixando-a ser dirigida tão somente pelas leis naturais nas quais ela foi posta. Este pensamento enfatiza a transcendência de Deus.
d.5 Panteísmo: corrente filosófica que afirma que Deus é tudo e tudo é Deus.
d.6 O Absoluta da Filosofia: alguns filósofos ao falarem a respeito da realidade ou não de um ser divino, atribuíram a este a designação de absoluto kgiguu........
Diante destas correntes teológico-filosóficas podemos destacar, em suma, pelo três idéias básicas a respeito de Deus, a saber:
1. Um Deus Imanente e impessoal: O teísmo sempre acreditou num Deus que é transcendente e imanente. O deísmo retirou Deus do mundo, e deu ênfase à sua transcendência em detrimento da sua imanência. Sob a influência do panteísmo, porém, o pêndulo pendeu noutra direção, pois este identificou Deus com o mundo e não reconheceu um Ser divino distinto da Sua criação e infinitamente exaltado acima dela.
2. Um Deus Finito e Pessoal: A idéia de um Deus finito ou deuses finitos não é nova; é tão antiga como politeísmo e o henoteísmo. Neste sistema encontramos o panteão grego com todos os seus deuses que tinham, via de regra, as mesmas deficiências e dificuldades dos homens.
3. Deus Como a Personificação de Uma Simples Idéia Abstrata: ficou muito em voga na moderna teologia “liberal” considerar o nome “Deus” como um simples símbolo, representando algum processo cósmico, uma vontade ou poder universal, ou um ideal elevado e abrangente. A maioria dos que rejeitam o conceito teísta de Deus ainda professa fé em Deus, mas este é um Deus de sua própria imaginação.
e. TEÍSMO – O Pensamento Cristão Sobre Deus
O conceito cristão sobre o ser Deus e seu modo de se relacionar com a sua criação esta esboçado no pensamento teológico denominado de teísmo. Neste, Deus é apresentado como um ser pessoal, sábio, poderoso, criador de todas as coisas, e que através de seu infinito poder e soberania, governa, dirige, dispõe, sustenta todas as coisas conforme o conselho da sua vontade. Nisto, então, percebemos que o teísmo tanto enfatiza a transcendência de Deus como a sua imanência.
f. Provas Racionais da Existência de Deus
No transcurso do tempo foram elaborados alguns argumentos em favor da existência de Deus. Alguns deles já haviam sido sugeridos por Platão e Aristóteles, e outros foram acrescentados modernamente por estudiosos da filosofia da religião. Observemos cada um deles.
f.1 Argumento Ontológico: O homem tem a idéia de um ser absolutamente perfeito. Esta existência é um atributo de perfeição; portanto, um ser absolutamente perfeito tem que existir. Kant declarou que este argumento era insustentável; todavia, Hegel o aclamou com um grande argumento.
f.2 Argumento Cosmológico: Cada coisa que existe no mundo tem que ter uma causa adequada; sendo assim, o universo tem que ter uma causa adequada, isto é, uma causa infinitamente grande.
f.3 Argumento Teleológico: Em toda parte o mundo revela inteligência, harmonia , ordem e propósito, a assim implica a existência de um ser inteligente e com propósito, apropriado para a produção de um mundo como este
f.4 Argumento Moral: Todo ser humano possui em sua constituição íntima a idéia de certo e errado, uma personalidade ajustada aos valores morais e éticos; portanto deve existir um ser moral e eticamente bom que criou o homem com este atributo; ou seja, o reconhecimento que o homem tem do Sumo Bem e a sua busca de um ideal moral exigem a necessitam a existência de um Deus que concretize este ideal.
f.5 Argumento Histórico: Entre todos os povos e tribos da terra há um sentimento religioso que se revela em cultos exteriores. Visto ser um fenômeno universal, deve pertencer à própria natureza do homem. E se a natureza do homem leva naturalmente ao culto religioso, isto só pode achar uma explicação num ser superior que constituiu o homem um ser religioso.